Marcelo Tas está aqui em Paraty e escreveu algumas coisas que esse blog gostaria de ter escrito sobre a palestra do Roberto Schwarz. Abaixo, alguns trechos da palestra:
Marcelo Tas está aqui em Paraty e escreveu algumas coisas que esse blog gostaria de ter escrito sobre a palestra do Roberto Schwarz. Abaixo, alguns trechos da palestra:
Xico Sá levou, várias vezes, a Tenda dos Autores às gargalhadas. Uma de suas frases: “Bebo pra c*** e escrevo socialmente”. Amanhã, você poderá ver aqui no BLOG alguns trechos em vídeo da “conversa de botequim” que ele teve com o jornalista e escritor Humberto Werneck (que, aliás, contou ótimas histórias sobre Jayme Ovalle, o “santo sujo“). E poderá entender por que é que os escritores escrevem para “humilhar a Gisele Bündchen”.
Luiz Melodia canta A Voz do Morro no show de abertura.
Acabou agora há pouco a palestra da psicanalista Elizabeth Roudinesco. Ela falou sobre seu livro “A Parte Obscura de Nós Mesmos – Uma História dos Perversos”. Em determinado momento, disse que tinha certeza que todo mundo ali já tinha lido “O Retrato de Dorian Gray”, de Oscar Wilde. Acho que ouvi uma parte da platéia pigarrear…
Roberto Schwarz abre a FLIP 2008 lendo a abertura do romance de Machado de Assis.
O rumor das vozes e dos veículos acordou um mendigo que dormia nos degraus da igreja. O pobre-diabo sentou-se, viu o que era, depois tornou a deitar-se, mas acordado, de barriga para o ar, com os olhos fitos no céu. O céu fitava-o também, impassível como ele, mas sem as rugas do mendigo, nem os sapatos rotos, nem os andrajos, um céu claro, estrelado, sossegado, olímpico, tal qual presidiu às bodas de Jacó e ao suicídio de Lucrécia. Olhavam-se numa espécie de jogo do siso, com certo ar de majestades rivais e tranquilas, sem arrogância, nem baixeza, como se o mendigo dissesse ao céu:
- Afinal, não me hás de cair em cima.
E o céu:
- Nem tu me hás de escalar.
A Tenda dos Autores estava praticamente lotada ontem à noite. Escritores chegavam e eram assediados por fotógrafos. Escritor só é fotografado cinco dias por ano: na FLIP.
Roberto Schwarz deu início à festa falando sobre Dom Casmurro. Não demorou muito para levantar a velha questão machadiana, o “ser ou não ser” da literatura nacional: Capitu traiu ou não traiu Bentinho? Quer dizer, Schwarz não levantou a questão. Schwarz a respondeu. Para ele, não há dúvida: ela é inocente. Não é, claro, uma opinião unânime. Dalton Trevisan, por exemplo, escreveu certa vez que “se Capitu não traiu Bentinho, então Machado de Assis é José de Alencar.” Millôr Fernandes foi ainda mais longe: ” o fato é que não só a Capitu deu pro Escobar como o Bentinho também.” E você, o que acha?