Mesa 2 | 12a. Flip debate nova literatura russa

31 de julho de 2014

Relação de autores contemporâneos, o romance do século 19 e a história política recente permearam a conversa

Bruno Gomide media conversa entre Elif Batuman e Vladímir Sorókin nesta quinta-feira (31)

Bruno Gomide faz mediação de conversa entre Elif Batuman e Vladímir Sorókin nesta quinta-feira (31)

Por Gabriela Longman

O curador da 12a. Flip, Paulo Werneck, abriu a terceira mesa do dia celebrando a “alegria de ouvir o idioma russo pela primeira vez nessa tenda.” Primeiro autor da Rússia na história da festa, Vladímir Sorókin entusiasmou o público ao ler trechos de sua peça teatral “Dostoievski-Trip” e debater a tradição literária do país com a crítica norte-americana Elif Batuman.

“A literatura russa tem uma reputação trágica, principalmente fora da Rússia. O humor é mais difícil de traduzir”, disse Batuman, autora de Os Possessos (Ed. LeYa). Sorókin mostrou seu lado bem humorado, mas também lembrou da dificuldade de escrever nos tempos do regime soviético: “A literatura foi proibida e nós escrevíamos para guardar na gaveta. Escrevíamos para os amigos ou com a esperança de ser publicados nos exterior (…) No estado totalitário não tem oposição, tem dissidentes. Na Rússia, infelizmente isso está retornando.”

Os dois autores também falaram de suas experiências paralelas à literatura – a de Batuman como jornalista (a chamada não-ficção é um grande campo de atuação para escritores nos Estados Unidos) e a de Sorókin como roteirista. “O cinema, para mim, é muito importante. É uma possibilidade de trocar a pele, renovar o sangue literário”, disse.


A Festa do Divino sob o olhar dos jovens de Paraty

17 de maio de 2013

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por Gabriela Valdanha

A Festa do Divino reúne todos os anos devotos e curiosos em Paraty no mês de maio. Neste ano, no entanto, nos dias 18 e 19 de maio ela atrairá também jovens da própria cidade que irão participar da oficina fotográfica Paraty, suas festas, sua gente, coordenada por Walter Craveiro. Desde a primeira edição da Flip, o fotógrafo clica os melhores momentos do evento. Segundo Craveiro, o objetivo é que os adolescentes documentem a própria experiência dentro da festa.

Num primeiro momento os jovens se reunirão para uma rápida aula de noções teóricas, o que inclui conhecer os equipamentos. Dividida em grupos, a turma percorrerá pontos chaves da cidade praticando a técnica da street photo, que diz respeito tanto às imagens feitas em movimento quanto a abordagem de pedestres para fotos posadas. Os conceitos trabalhos por Craveiro são os da educomunicação: “queremos levar para os jovens o conhecimento técnico da linguagem fotográfica, para que eles desenvolvam um domínio critico das ferramentas e possam produzir e interferir na comunidade”, conta o fotógrafo.

Desde 2009 Walter Craveiro participa da ONG Instituto Asas e, em parceria com a jornalista Lucia Caetano, realiza oficinas para jovens em São Paulo. Ainda neste mês iniciarão um novo projeto em escolas públicas com adolescentes fotografando o universo escolar. Craveiro revela que deseja fazer o mesmo com os jovens em Paraty: “essa oficina é apenas um piloto”, conta o fotógrafo e completa: “queremos fazer encontros esparsos, ver o desenvolvimento e o envolvimento com a linguagem fotográfica deles para, no final do processo, escolher jovens para participar da Flip no nosso time de fotógrafos”.

Alguns jovens de Paraty são responsáveis pelo blog da FlipZona, mas a relação com a Flip ainda era distante. Craveiro pretende aproximar tais experiências, democratizar a linguagem fotográfica e permitir que os jovens atuem profissionalmente no futuro. Para Craveiro, esse é um grande passo para a festa: “são jovens formados dentro da Flip, que precisam ter um contato mais intenso com ela. Para mim também é uma novidade, já que o projeto envolve um grau de relacionamento maior com o evento.”

Sobre Walter Craveiro

Com graduação em história e jornalismo e especialização em fotografia e mídia, Walter Craveiro atua no mercado fotográfico editorial há mais de vinte anos. Colaborador especial de publicações voltadas ao turismo, como as revistas Próxima Viagem; Vacances; Viagem e Turismo; e Náutica, o fotógrafo produz extensas matérias sobre os principais destinos turísticos do planeta, tendo feito coberturas em locais como Ilhas Fiji, Dubai, Canadá, Caribe, Sul da França, Emirados Árabes, hotéis da Selva da Amazônica e Londres, esta última escolhida pela União Européia como uma das melhores fotorreportagens sobre os países do continente europeu em 2008. Como voluntário, desde 2009 ministra oficinas de fotografia para jovens pela ONG Instituto Asas. Atuou também como professor de técnicas digitais da Faculdade de Fotografia do Senac e do IED – Istituto Europeo di Design.


Bartolomeu Campos de Queirós

16 de janeiro de 2012

A equipe da Casa Azul e da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) manifesta seu profundo pesar com a notícia da morte de Bartolomeu Campos de Queirós. Escritor premiado e criador do Movimento por um Brasil Literário, Bartolomeu deu com seus livros e mobilização pessoal uma contribuição inestimável para a causa da alfabetização e da leitura no Brasil.

Nascido em 1944, viveu a infância em Papagaio (MG). Cursou o Instituto de Pedagogia em Paris e participou de importantes projetos de leitura no Brasil como o ProLer e o Biblioteca Nacional.

Participante da festa em edições anteriores, quando fez palestras na Flipinha e na Casa da Cultura, Bartolomeu já havia aceitado o convite para participar este ano de um debate na Tenda dos Autores. Sua morte é uma perda para a cultura brasileira e será sentida por todos comprometidos com a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva. Nesse momento de dor, a Flip se solidariza com os amigos e parentes de Bartolomeu.


O retorno de Ian McEwan

14 de dezembro de 2011

Quando veio pela primeira vez à Flip, em 2004, Ian McEwan estava longe de ser um autor desconhecido para o público brasileiro. Mas não seria exagero dizer que àquela altura sua reputação por aqui ainda era recente, e ancorada principalmente no impacto causado pela publicação, dois anos antes, de “Reparação” (Companhia das Letras, 2002). O livro é o maior sucesso da carreira de McEwan. Vendeu milhões de exemplares no mundo inteiro e deu um impulso considerável à sua reputação mesmo na Inglaterra, onde ele já recebera o Booker em 1998 por Amsterdam. No Brasil, a mudança foi radical. Talvez a surpresa tenha sido menor para os leitores mais atentos, que já conheciam o autor dos livros lançados na década de 1990 pela Rocco, mas em boa medida o romance foi um acontecimento inesperado.  De um entre outros bons nomes da literatura inglesa surgidos no último quarto do século XX, certamente bem menos conhecido aqui do que contemporâneos como Salman Rushdie ou Martin Amis, McEwan começaria a ser visto como um dos principais escritores de sua geração.

 

Foi assim que seus livros seguintes passaram a ser aguardados por aqui. Ainda que nenhum tenha provocado o mesmo abalo de “Reparação”, eles no entanto confirmaram essa “descoberta” um tanto tardia e aprofundaram a relação do leitor brasileiro com a obra do autor. Nos anos entre os lançamentos de “Sábado” (2005), “Na Praia” (2007) e “Solar” (2011), as livrarias foram recebendo novas edições de livros antigos de McEwan (“O inocente”, “O jardim de cimento” e “Amor sem fim”), lidos com muito mais atenção dos que os lançamentos da década anterior. A adaptação para o cinema de “Reparação”, indicada ao Oscar de 2008, ampliou a projeção da obra de McEwan  – e aqui no Brasil, deu mais força ao processo iniciado alguns anos antes.

 

Se não será necessariamente “maior” do que a criada em 2004, a expectativa com a vinda de McEwan para a Flip 2012 deve portanto ter um lastro ao mesmo tempo mais sólido e diverso. Sem deixar de reunir características importantes de sua obra, “Reparação” não era exatamente um McEwan “típico” – quem o conhecesse apenas pelo romance dificilmente entenderia por que no começo da carreira ele ganhou o apelido de Ian McCabro. Apesar do enredo trágico, o livro assume boa parte do tempo um tom compassivo muito distinto do olhar satírico de um livro como “Amsterdam”, ou de seu livro mais recente, o ótimo “Solar”.

 

O talento de McEwan para o humor, aliás, não está circunscrito à criação literária, como se pode ver por esse trecho da mesa de que ele participou em 2004, com Martin Amis, no qual responde a uma pergunta da plateia sobre a importância da pesquisa para sua escrita. Veja o vídeo abaixo.

 

 


Os encontros de negócios na Feira de Frankfurt

19 de outubro de 2011

Há quem confunda a Feira de Frankfurt com uma espécie de Bienal do Livro internacional, diferente das feiras realizadas no Brasil apenas pela escala. E uma olhada rápida no evento realizado semana passada na Alemanha poderia confirmar o engano – lá estavam os estandes de editoras com as recepcionistas de sorriso a postos, as multidões de visitantes hiperativos e o persistente ruído de fundo que parece dizer “é proibido relaxar”.

Mas se há uma semelhança no tom, e até na intenção mais geral de fazer girar a roda da indústria, a diferença fundamental fica evidente na ausência dos inconfundíveis visitantes a passeio que lotam as feiras do livro no Rio, São Paulo ou qualquer cidade do mundo.

Em vez de crianças em excursão escolar e famílias dando uma voltinha letrada, em Frankfurt são os tipos de terno e pastinha de executivo que se multiplicam pelos pavilhões. A Feira é um evento de negócios para gente de negócios, no qual o público geral entra apenas no fim de semana, o que torna ainda mais espantosa a quantidade de gente que circula por lá. Editores, agentes literários, políticos e jornalistas do mundo inteiro – todos igualmente apressados -, além de escritores que fazem palestras assistidas por quem está com tempo livre entre um encontro e outro.

Nesse ambiente, em que para muitos as reuniões se sucedem sem intervalo, com negociações pela compra de títulos que custam de uns poucos milhares a uns poucos milhões, o representante de um festival literário não chega a ser o interlocutor mais aguardado por ninguém. O retorno que um convite à Flip pode oferecer – prestígio, contato com os leitores e interesse da imprensa – é indireto e muito menos certo do que o dinheiro desembolsado pelos editores na mesa de negociação. Dificilmente, além disso, haverá algum acordo a ser fechado ali. Apesar da influência que alguns agentes possam ter sobre seus clientes, e embora uma recomendação feita com entusiasmo sem dúvida possa ajudar muito, no fim das contas o “sim” continuará dependendo mesmo da vontade do escritor.

Tudo isso, no entanto, tem o lado bom de tornar as conversas menos tensas e mais amistosas. Além dos autores convidados, os agentes falam de outros nomes que estão negociando com editores brasileiros, ocasionalmente se queixam da dificuldade para vender um ou outro livro. Muitos querem vir eles mesmos à Flip – a negócios ou a passeio -, todos já ouviram falar da festa. Se estivéssemos organizando um festival de agentes literários, não seria difícil voltar de Frankfurt com uma lista de convidados confirmados para as próximas dez edições.


Obrigada por nos acompanhar em mais uma Flip!

10 de julho de 2011

Aqui no blog você encontra ilustrações, textos, fotos e trechos em vídeo das mesas. Neste blog você também você pode assistir ao Sobremesa, entrevistas exclusivas com autores da programação principal logo depois das mesas, produzidas pela Flip em parceria com o G1.

No site da Flip há matérias sobre todas mesas e toda a programação da Flip, Flipinha e FlipZona, para você se inteirar do que aconteceu neste últimos cinco dias.

Assista a trechos de todas as mesas no nosso canal do youtube.

No Blog da FlipZona você pode conferir a cobertura feita pelos jovens de Paraty sobre tudo que rolou nestes 5 dias de Festa Literária.

No nosso flickr há fotos de todos eventos, confira!

equipe Flip


Conversa entre amigos

10 de julho de 2011

A mesa 17 foi o final perfeito para uma Flip voltada ao romance e com forte presença de línguas latinas: reuniu os colombianos e amigos Laura Restrepo e Héctor Abad. Quem esperava mais do mesmo na última mesa da programação foi surpreendido. Os dois amigos ousaram e decidiram falar um do livro do outro, quebrando expectativas e tornando rico o embate de ideias.

A troca de impressões mostrou o respeito e carinho entre os autores, permitindo ao público descobrir muito mais sobre cada escritor. As críticas e elogios foram bem construídos, ditos com a precisão de quem admira e conhece bem a obra do outro. “É um livro extremamente doce, e extremamente duro,” disse Laura, referindo-se a A ausência que seremos, romance de Héctor.

O mediador Ángel Gurría-Quintana foi uma terceira voz bem-vinda, a guiar de vez em quando as falas e provocar os autores. Mas a verdade é que Laura e Héctor teriam se virado bem sozinhos: era uma conversa entre amigos.

Assista à entrevista gravada com Laura Restrepo, logo após a mesa:

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